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O barco está afundando

  • 19 de jun.
  • 2 min de leitura

**O Mar da Política, a Canibalização de Bases e o Risco do Barco à Deriva**

O jornalista Acléssio Van Soares colocou em palavras o que o cenário político já desenhava há tempos nos bastidores do Rio Grande do Norte. A aparente harmonia na chapa majoritária liderada por Allyson Bezerra (União Brasil) esconde uma realidade prática implacável: o clima entre as candidaturas proporcionais é de pura canibalização territorial. Enquanto MDB e União Brasil caminham formalmente de mãos dadas rumo ao Governo do Estado, as bases aliadas sofrem um desmonte silencioso.

Em diversos municípios, o avanço das forças lideradas pelo ex-prefeito de Mossoró sobre os redutos e apoios históricos de Walter Alves deixou de ser um movimento de bastidores para se tornar um fato visível a olho nu. Esse avanço explícito chama a atenção de estrategistas, que observam com surpresa o silêncio ou a incapacidade de reação do comando emedebista diante dessa invasão de território.

Um sintoma claro desse enfraquecimento programado foi a recente desistência do Coronel Walmary Costa. O militar, filiado ao MDB, recuou de seus planos de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa para reassumir a Secretaria de Segurança Pública de Mossoró, integrando-se diretamente à coordenação e ao projeto maior de Allyson. Uma baixa sensível no tabuleiro proporcional do MDB, assimilada sem grandes ruídos.

Essa postura predatória confirma o que muitos já perceberam: o ex-prefeito de Mossoró joga um jogo estritamente solitário. No dicionário político dele, o aliado raras vezes tem vez. A regra de ouro é bem clara: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, e se sobrar alguma coisa, ainda sou eu. O objetivo principal desse grupo não é construir pontes coletivas para o fortalecimento dos parceiros, mas sim fincar bandeiras para se perpetuar no poder, priorizando a eleição da própria esposa e daqueles que rezam fielmente a sua cartilha.

Diante desse cenário, fiz questão de alertar pessoalmente o pré-candidato Josivan Bibiano: navegar nessas águas sem um norte claro é um risco enorme. Quem decide caminhar sem garantias reais com lideranças que não mantêm compromisso com aliados corre o sério perigo de ver seu projeto entrar em um barco sem rumo — ou, pior, em uma embarcação completamente à deriva.

Se o flanco no interior do estado já preocupa, o cenário na capital transforma-se em uma ameaça direta à sobrevivência política do grupo liderado por Walter Alves. Quem não abrir os olhos agora corre o risco de afundar junto. Caso esse ritmo continue o mesmo, o MDB que se prepare, pois novas baixas expressivas no partido serão apenas uma questão de tempo.

 
 
 

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